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Diário

Eu não gosto de desejar feliz natal, feliz dia dos pais, das mães, etc. e já comentei sobre isso aqui. Da mesma forma que prefiro dizer "Feliz aniversário" do que "Parabéns". Afinal o que é que se parabeniza, que mérito é esse que precisa de louvor uma vez por ano?

Qual é o mérito que eu tenho por ser mãe? Ser mãe é uma responsa que eu assumi e desejo ser respeitada por ela todos os dias de minha vida, e não louvada pelos outros. Quero o amor da minha filha e dos filhos que virão, todos os dias do ano, pra sempre... eu acho que isso é o real sentido da coisa. Uma pessoa que não é fruto do meu ventre me dar os parabéns no dia das mães, não consigo ver sentido nisso...

Quando eu faco aniversário gosto de receber votos de felicidade, bêncãos, mas congratulacões? Por que? Se eu passo no vestibular, se eu for aceita no mestrado sim, ficarei feliz em receber os parabéns, estudei pra isso, me empenhei e colhi os louros do meu esforco.

Então pai, não vou te dar parabéns no dia de hoje. Os pais e mães costumam dizer modestamente: Todo dia é dia das mães, do pais, etc. e eu concordo. Mas ainda assim eu acredito que no Brasil as pessoas fiquem esperando receber alguma coisa dos filhos, seja presente, seja telefonema, seja recadinhos. Enfim, não é a minha. Eu realmente acredito que essas datas nada mais são que invencões do capitalismo. Tô fora delas!

Beijos e que todas as mães, todos os pais do mundo sejam sempre abencoados com filhos saudáveis, e sempre pecam sabedoria a Deus para criá-los com MUITO amor.


Blog EntryJun 27, '10 5:56 AM
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(Li esse texto pela internet a fora e tive que repostá-lo. É uma pérola. Food for thought :)

No Brasil, as mulheres experimentam o envelhecimento como um período de perdas ainda maiores

NO BRASIL, o corpo é um capital. Certo padrão estético é visto como uma riqueza, desejada por pessoas de diferentes camadas sociais.
Muitos percebem a aparência como veículo de ascensão social e como capital no mercado de trabalho, de casamento e de sexo. Para aprofundar essa discussão, estou fazendo um estudo comparativo com mulheres brasileiras e alemãs na faixa de 50 a 60 anos.
Já nas primeiras entrevistas, constatei um abismo entre o poder objetivo que as brasileiras conquistaram e a miséria subjetiva que aparece em seus discursos.
Elas conquistaram realização profissional, independência econômica, maior escolaridade e liberdade sexual.
Mas se preocupam com excesso de peso, têm vergonha do corpo, medo da solidão.
As alemãs se revelam muito mais seguras tanto objetiva quanto subjetivamente.
Mais confortáveis com o envelhecimento, enfatizam a riqueza dessa fase em termos de realizações profissionais, intelectuais e afetivas.
A discrepância entre a realidade e a miséria discursiva das brasileiras mostra que aqui a velhice é um problema muito maior, o que explica o sacrifício que muitas fazem para parecer mais jovens.
A decadência do corpo, a falta de homem e a invisibilidade marcam o discurso das brasileiras. De diferentes maneiras, elas dizem: “Aqueles olhares e cantadas tão comuns sumiram. Ninguém mais me chama de gostosa. Sou uma mulher invisível”.
Curiosamente, as brasileiras que se mostram mais satisfeitas não são as mais magras ou bonitas. São aquelas que estão casadas há anos. Elas têm “capital marital”.
Em um mercado em que os homens disponíveis são escassos, principalmente na faixa etária pesquisada, as casadas se sentem poderosas por terem um “produto” raro e valorizado. Aqui, ter marido também é um capital.
No Brasil, onde corpo e marido são considerados capitais, o envelhecimento é experimentado como uma fase de perdas ainda maiores.
Já na cultura alemã, em que diferentes capitais têm mais valor, a velhice pode ser uma fase de realizações e de extrema liberdade.
Como ressaltou Simone de Beauvoir, “a última idade” pode ser uma liberação para as mulheres, que, “submetidas durante toda a vida ao marido e dedicadas aos filhos, podem, enfim preocupar-se consigo mesmas”.

MIRIAN GOLDENBERG, antropóloga e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, é autora de “Coroas: Corpo, Envelhecimento, Casamento e Infidelidade” (ed. Record)

O estudo foi feito com alemãs, mas o mesmo é válido para as dinamarquesas, tenho certeza.

Eu sonho com o dia em que cada mulher desse meu Brasil consiga verdadeiramente libertar sua alma das amarras do machismo.


Blog EntryMay 6, '10 8:50 AM
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Foi com muita dor no coração que eu li esse caso da troca dos bebês em Goiás.

Um dos meninos ainda era amamentado pela mãe "errada", que precisou ser chamada para acalmá-lo, quando de uma hora pra outra, ele viu-se obrigado a dormir sem o seio daquela a quem conhecia como mãe.

Acho que só quem é mãe pode, talvez, dimensionar o tamanho dessa dor.

Agora, eu tenho certeza absoluta, que esse tipo de coisa, assim como sequestro de bebês em hospitais por enfermeiras malucas ou desequilibradas se passando por enfermeiras, não mais aconteceria se as mães parissem normalmente seus filhos e deles não fossem separados por nem um minuto sequer.

Mas isso só vai acontecer quando a mulherada "acordar" dessa Matrix obstétrica que vigora no Brasil. Todo mundo acha normal ir fazer uma cirurgia pra tirar seu bebê da barriga, e depois mais normal ainda ficar separada de seu bebê por muitas horas, enquanto a mãe se recupera do efeito da anestesia e o bebê fica chorando, sozinho, num "bercinho aquecido".

Também virou super normal, ver seu filho através de uma televisão, ou atrás do vidro que separa o corredor do berçário. Super normal. Me digam que mamífera, recém-parida, permite que levem seu filhote pra longe. Experimenta pegar um gatinho recém-nascido e levá-lo para longe de sua mãe. Experimenta tirar da leoa sua cria, ou da macaca, ou da cadela. Só as humanas permitem esse disparate, e acham normal!!!

Não, não e não, não consigo entender! Qual é o objetivo dessa tortura, qual a indicação, qual o benefício para mãe e para bebês, que fiquem separados por até 10, 12 horas depois do nascimento???

Se a Oganização Mundial da Saúde recomenda veementemente o alojamento conjunto de mãe e bebê 24 horas por dia, para encorajar e facilitar a amamentação e a formação do vínculo afetivo, por que no Brasil isso ainda é realidade apenas para uma minoria?

Na Dinamarca não existem berçários nas maternidades e nem todos os hospitais têm UTI neo-natal. Ainda assim, a taxa de mortalidade neo-materna é infinitamente menor à do Brasil.

Por que será?

Isso só vai mudar quando as mulheres tomarem a pílula vermelha. Saírem da Matrix e questionarem o sistema em que vivem inseridas, anestesiadas!

p.s. Parem o mundo que eu quero descer!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Logo depois de ter escrito esse post, li uma reportagem sobre esses últimos acontecimentos e as falhas que tornam esse tipo de crime possível e até comum em maternidades.

Eis aqui o texto:

Assunto polêmico que voltou à tona recentemente no noticiário nacional, os descuidos criminosos com bebês em maternidades públicas e privadas normalmente estão envoltos em uma sequência de equívocos cometidos pelos responsáveis e funcionários dos hospitais brasileiros.

Essa é a avaliação de Maria de Jesus Harada, coordenadora da Câmara Técnica do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo. Como ela afirma, as trocas de bebês ou o furto de recém-nascidos de dentro de unidades de saúde são causados por erros multifatoriais. “Infelizmente, as falhas são intrínsecas aos seres humanos. E, nesses casos, costumam ser uma série delas”, argumenta ela, que é membro da Rede Brasileira de Enfermagem e Segurança do Paciente, entidade vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU).

Segundo Harada, a questão da falta de equipe é algo muito corriqueiro. “A questão do número de enfermeiros e técnicos é importantíssima. Muitas vezes, há pouca gente para cuidar de muitos pacientes. Então tudo é feito na pressa, fica confuso, sem controle. Fica quase impossível tomar todos os cuidados necessários.”

Outro problema encontrado é a falha na identificação dos bebês. “A Organização Mundial de Saúde recomenda que, desde o nascimento, a criança tenha uma pulseira, de plástico, que não molhe, com o nome e data de nascimento, para que não se confunda com as demais. Mas nem sempre isso acontece da forma apropriada”, diz a coordenadora. “Tem lugar em que a pulseira é frouxa, se solta do pulso do bebê. Todos os procedimentos devem ser feitos com 100% de precisão.”

Harada afirma, categoricamente, que a grande maioria de casos como trocas ou roubo de bebês é causada por erros –e não por negligência. Como ela explica, as causas normalmente são deficiências variadas no atendimento.

“Quando você vai ver, percebe que a enfermeira da área teve que trocar de turno. Percebe que a substituta não foi orientada direito. Verifica que faltava gente no dia específico. Via que tinha nascido muitos bebês, com nomes parecidos, e que a identificação foi mal feita”, enumera. “E não precisa ser uma tragédia completa. Muitas vezes, uma confusão desse tipo faz com que o bebê tome uma medicação errada ou passe por um exame trocado. Isso ninguém percebe, mas acontece muito. A OMS estima que, de cada 10 pacientes, um enfrentará um erro, seja notável ou não”, pondera a especialista.

Bebês escoltados
Para combater tais erros, o hospital São Luiz, que tem uma das maiores maternidades de São Paulo, chega até a escoltar os bebês. “No dia-a-dia da maternidade, qualquer movimentação com os bebês é supervisionada por um segurança. Se será feito um exame no primeiro andar, por exemplo, ele vai escoltado até lá. Não há possibilidade de um bebê circular pelo corredor sem um segurança”, diz Josué Maldonado Garcia, supervisor de Segurança Patrimonial do hospital.

Outras medidas adotadas pela hospital são identificar pais, mães e bebês com pulseiras contendo um código de barras e fiscalizar os corredores com câmeras que guardam as imagens por 45 dias.

 

Socoorrooooo!!! A pessoa cita a tal da famigerada pulseira recomendada pela OMS e não cita que a mesma OMS recomenda alojamento conjunto!!!!!!!!! Chega a ser inacreditável!


Blog EntryApr 30, '10 11:47 AM
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É criar relações fortes e saudáveis entre pais e filhos. Isso nos desafia, como pais, a tratar nossos filhos com gentileza, respeito, dignidade e modelar nossas interações com eles na forma como gostaríamos de interagir com os outros.

É um retorno aos nossos instintos. São práticas, ferramentas para suprir a necessidade da criança de confiança, empatia e afeto. Que vai fornecer à criança um fundamento para vida de relações saudáveis.

Estudos apontam que bebês nascem com necessidades fortes de proximidade física com seu cuidador durante os primeiros anos de vida. Essas necessidades são resumidas em proximidade, proteção e predictibilidade. Os bebês choram, reclamam, sugam, são formas de ter a mãe por perto.

Ao crescer se sentindo seguro em sua relação com a mãe, o bebê se sente confiante para explorar e desenvolver relações fortes e saudáveis com outras pessoas importantes em suas vidas. Cada família é única, com necessidades e recursos próprios.

Os oito princípios são ferramentas que cada pai e mãe deve usar como for melhor para o equilíbrio familiar. Você não precisa utilizar todas ferramentas de uma vez. A idéia dos oito princípios é mantê-los em mente e estar sempre flexível diante dos desafios diários.

Os oito princípios do Attachment Parenting:


1- Preparar-se para gravidez, parto e maternidade/paternidade.

Tornar-se física e emocionalmente preparada para gestação e o parto. Procurar a assistência e o ambiente do parto, saber das rotinas hospitalares com os bebês. Conhecer a equipe que prestará assistência durante gravidez, parto e primeiros cuidados com o bebê.

A maneira como se inicia a relação ajuda no estabelecimento do vínculo. Os primeiros dias e semanas são muito importantes, mas não é um “agora ou nunca”.

Conhecer os estágios do desenvolvimento infantil, para tornar as expectativas reais e ser flexível.

Nascer com respeito é um primeiro momento, é a recepção que estamos dando a esse ser que vem ao mundo.


2 - Alimentar com amor e respeito

A amamentação é nutricional e emocionalmente perfeita. Uma forma certeira de formar o vínculo seguro entre mãe e bebê. É um exercício de leitura do bebê. Ajuda a ler seus sinais, a linguagem corporal, que é o primeiro passo para conhecê-lo. A amamentação cria a química perfeita. Quando não acontece, é importante adotar formas de nutrir que permitam a relação física e emocional.


3 - Responder com sensibilidade

Construa o fundamento de confiança e empatia já no começo. Sintonize-se no que seu bebê está comunicando a você. Responda consistente e apropriadamente. Bebês não sabem se acalmar sozinhos, atente-se ao seu choro. A resposta sensível constrói a confiança. Os pais constroem gradualmente a confiança em sua capacidade de responder às necessidades do bebê corretamente. Bebês não choram para manipular, eles não tem esse raciocínio ainda; o choro é a única maneira que dispõem de comunicar suas necessidades. Cuidado com os conselhos do tipo "deixar chorar", "não acostumar mal", "não mimar" e etc.

Confie na sua intuição - pouco a pouco ela aflora.

Os bebês precisam de pais calmos, carinhosos e empáticos para ajudá-los a aprender a regular suas emoções. Responda a uma criança que está magoada ou expressando uma emoção forte. Compartilhe de suas alegrias sempre.


4 - Use o toque

O toque fornece ao bebê o contato físico, o afeto, segurança, estímulo, e movimento.

Faça uso de carregadores de bebê do tipo sling e companhia. Massagem para bebês também é uma excelente forma de contato físico com o bebê.

A forma como você toca e carrega o bebê é essencial para seu desenvolvimento. Não deixá-lo transformar-se em um pacote, para não se fechar sobre si mesmo, permitir que ele tenha confiança em si através da sua própria corporalidade. Por que o toque é tão importante?

Existem muitos tipos de memórias, as que você pode trazer à consciência são lembranças, mas existem aquelas que deixam traços em você mas que não vem à tona, não tomamos consciência mas estão lá e em alguns momentos da vida aparecem como armadilhas emocionais. No início da vida não temos a linguagem, então os traços de memória são corporais, a emoção fica impregnada na nossa corporalidade.


5 - Cuidado durante a noite

Não existe uma fórmula estrita, pois cada bebê é único e sua família também é única. Descubra como todos dormem bem e esta será a forma adequada à sua família, sem se deter a regras, normas, fórmulas de treinamento do sono, etc.

Bebês e crianças têm necessidades durante a noite assim como durante o dia. Eles dependem dos pais para acalmá-los e ajudá-los a se regular. Os treinamentos noturnos têm um efeito físico e psíquico, então muito cuidado com os métodos de "treinamento" do tipo "Nana Neném".

A cama compartilhada tem seus benefícios para os bebês que demonstram dificuldade à noite, alguns tem angustias noturnas, acordam algumas vezes durante a noite, e o contato físico, a proximidade minimizam isso. Além disso, ela tende a facilitar o aleitamento em livre demanda. A cama compartilhada pode inclusive reconectar os pais que trabalham fora muitas horas a seu bebê. O bebê vai adquirindo seus recursos para se tornar independente através da confiança que tem em seus pais.


6 - Cuidado consistente e afetuoso

A idéia é prevenir separações longas que tragam ansiedade e estresse às crianças pequenas. Também quando for necessário que ela se separe por conta do trabalho dos pais, observar e responder com cuidado aos sinais que a criança dá que a separação é difícil e causa angustia. Creches por mais de 20 horas por semana podem causar extremo estresse emocional, é melhor a opção de um “cuidador” em casa. As crianças para se desenvolver devem ter momentos de privacidade, e intimidade, e geralmente as escolinhas não tem esse espaço. O desenvolvimento social que o bebê demonstra ter ao iniciar-se na creche pode ser em detrimento de sua segurança afetiva. Por isso dê ouvido aos choros de seu bebês. Mais uma vez: cada bebê é único e você só vai saber se está tudo bem com ele se tornando um expert em seu bebê.

7 - Praticar educação positiva

Tratar nossos filhos como gostamos de ser tratados! Extremamente difícil!

Disciplina positiva tem como filosofia, levar a criança a desenvolver uma consciência guiada por sua própria disciplina interna e compaixão pelo outro. Não é "deixar fazer o que ela quer". Crianças precisam que mostremos o caminho. A punição enfraquece em parte a conexão entre os pais. Traz os sentimentos de vergonha, injustiça, humilhação. Bater ensina que a violência é uma forma possível de resolver conflitos e problemas.

Analisar sua própria infância e educação recebida é o primeiro passo para mudanças de atitudes com nossos filhos.

8 - Equilíbrio


O equilíbrio de todos os membros da família é importante, dar ouvidos a suas necessidade permite que a intuição e a conexão entre todos aflore. As necessidades de um bebê são grandes e podem ser desgastantes, se necessário peça ajuda a alguém, para que você possa descansar.

Blog EntryDec 9, '09 12:26 PM
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Os que estão com “baixo peso”

Em alguns casos, o problema não começa pelas mamadas “muito curtas”, mas pelo peso “muito baixo”. No mundo há pessoas de todos os tamanhos, e qualquer manhã, quando vamos comprar pão, cruzamos com pessoas que pesam 50 kg e outras que pesam 100 kg. Você realmente acha que essas pessoas pesavam o mesmo quando tinham 3 meses? Por que é tão difícil aceitar as diferenças no peso dos filhos?

Tenho um bebê de 3 meses que é amamentada. Até agora, ela vinha ganhando peso bem, 200 ou 250 g por semana. Duas semanas atrás, eu a levei ao pediatra e quando ele a pesou só tinha engordado 80 g. Ela nasceu com 3200 g e agora está com 5820 g. A pediatra recomendou uma “ajuda”, mas quando eu dou a mamadeira, ela recusa. Também comprei outros bicos, porque ela não aceita a chupeta, ela continua não aceitando, começa a chorar e passa até quatro ou cinco horas sem mamar no peito; tentei colocar no leite um pouco de papinha e dar com a colher, mas ela também não quer. Ela só quer saber de mamar. Mas eu não posso continuar assim, estou preocupada com saúde dela, pois não ganha quase peso e a pediatra diz que ela está abaixo da curva.

Abaixo de que curva? De acordo com os gráficos norte-americanos de desenvolvimento, o peso dessa menina está acima da média. Ela ganhou 2620 g em 3 meses, mais de 850 g por mês. A única medida que não está bem é a que mede a paciência da mãe. Quantas horas mais de angústia, quantas idas à farmácia para comprar novas mamadeiras e novos leites, apenas porque alguém interpretou mal um gráfico? Quantas mamadeiras um bebê terá de recusar para mostrar que ele não as quer?

Este exemplo ilustra dois problemas fundamentais: de um lado a interpretação generalizada dos gráficos; de outro, o ritmo de crescimento dos bebês amamentados.

 

O que é e para que serve um gráfico de peso?

 
Isto é um gráfico de peso. Totalmente inventado, não tente encaixar as medidas de seu filho nele! Está aqui apenas para explicar o que significam as linhas. Há diferentes gráficos de peso: os americanos (que são recomendados pela OMS para todo o mundo) e os de outros países que decidiram ter gráficos próprios para não ficarem para trás: franceses, ingleses, espanhóis... De qualquer forma, esses gráficos não são iguais e se um pediatra ou uma enfermeira nos lê poderia passar divertidas tardes de domingo comparando-os.

 
Os números da direita são chamados percentis. O percentil 75 significa que de cada 100 crianças saudáveis, 75 estão abaixo daquela curva e 25 estão acima. Em alguns gráficos, os percentis extremos são 95 e 5 e não 97 e 3.

Outros gráficos não usam percentis, mas médias e desvio padrão. Nesses gráficos aparecem, da base ao topo, cinco linhas que correspondem aos números -2, -1, média, +1, +2 do desvio padrão. Nós pediatras falamos com intimidade sobre esses gráficos, como se fossem parte da nossa família. Então, dizemos coisas como “a altura está em menos um, mas o peso em menos dois”. A propósito, dezesseis por cento das crianças saudáveis estarão abaixo do “menos 1”, enquanto que dois por cento estarão abaixo do “menos dois”.
Coloquei no nosso gráfico o peso de três bebês fictícios da mesma idade. Adela está com peso totalmente normal, embora apenas seis por cento das meninas nessa idade pesem mais. Ester, apesar de ter 1,5 kg a menos que Adela, também tem peso normal, mas 85 por cento das meninas da sua idade têm peso maior que o dela. Não há como dizer, de nenhuma forma, que Ester tem “baixo peso” ou com “a curva ruim””. É um erro comum querer que todas as crianças estejam acima da média. Metade das crianças, por definição, estará abaixo do percentil 50.

E Laura? Ela está abaixo da última curva e muitas vezes isso se interpreta com “está com baixo peso”. Mas atenção: a última linha é a do percentil 3; 3% das crianças saudáveis está abaixo. Essa linha não é uma fronteira que separa as crianças saudáveis das crianças doentes, mas um sinal que diz ao pediatra: “Cuidado, olhe bem a Laura porque provavelmente ela não tem nada, mas pode ser que esteja doente” Como o pediatra distinguirá esses 3% de crianças saudáveis que estão abaixo da linha dos que estão com pouco peso por causa de uma doença? Bem, para isso ele estudou medicina.

Eu tenho insistido muito que vinte e cinco por cento das crianças saudáveis estão abaixo do percentil 25. Porque o gráfico foi feito pesando muitas centenas ou milhares de crianças saudáveis.

Naturalmente, se um bebê nasce prematuro, com síndrome de Down, com alguma cardiopatia grave, ou foi internado durante semanas por causa de uma tremenda diarréia, seu peso já não se usa para calcular a média dos gráficos de peso normal Pela mesma razão, se o seu bebê tem algum desses problemas ou outros similares, seu peso provavelmente não irá se encaixar nesses gráficos. O fato de uma criança com doença crônica (ou que recentemente teve alguma doença aguda) estar com “baixo peso” não é por não comer, mas porque esteve doente. Forçá-lo a comer não vai ajudar a curá-lo; vai apenas fazê-lo sofrer e vomitar.
 
Agora, adicionamos ao gráfico imaginário mais dois pesos de meninas imaginárias. No topo está a Tâmara; seu peso, como você pode ver, está entre os percentis 90 e 97. Muitos irão dizer que ela está "seguindo a curva".



A linha mais abaixo mostra o peso de Marta. Vemos que num determinado momento ela ultrapassou o percentil 50, mas depois ela se aproximou do percentil 10. O que houve com Marta? Provavelmente nada. Claro que se a curva se modificar muito rápida ou abruptamente (de forma muito íngreme), o pediatra deveria olhá-la com carinho para ter certeza de que não há nenhum problema. Mas provavelmente não irá encontrar nada. Simplesmente, porque gráficos de peso não são caminhos para serem seguidos, mas representações matemáticas de um complexo sistema de estatísticas. As curvas e os percentis correspondentes não representam o ganho de peso de uma criança em particular e o ganho de peso de uma criança não tem que seguir nenhuma dessas linhas. O próximo gráfico ilustrará melhor.

 
Com o propósito de colocar nossa marquinha na história da pediatria, ao invés de usar um gráfico americano ou espanhol, decidi usar um gráfico próprio (o primeiro gráfico virtual, uma vez que foram usados somente pesos de bebês fictícios). Começamos pesando duas meninas durante o primeiro ano e obtivemos as duas linhas grossas.

Calculamos a média dessas duas meninas e obtivemos a linha mais fina que está no meio. Uma dessas meninas começou acima da média e depois passou a ficar abaixo, a outra começou abaixo e depois subiu. Nenhuma delas seguiu a média. Deveríamos dizer que essas meninas têm problemas nutricionais por não terem "seguido a curva"? Claro que não. A média é que não segue a "curva" dessas meninas.

Claro que gráficos de peso não são desenvolvidos usando apenas duas meninas, mas centenas. Pode imaginar como as coisas podem se complicar?
 

O crescimento de crianças de peito

O ganho de peso de Marta, que vimos acima, é bem típico de bebês que mamam no peito. Os gráficos de peso mais comuns foram desenvolvidos há alguns anos, quando muitos bebês tomavam mamadeira, e os que mamavam no peito o faziam só por umas semanas. Atualmente, mais e mais bebês são amamentados durante meses e eles não seguem os antigos gráficos. Vários estudos (1,2) feitos nos EUA, Canadá e Europa mostram que bebês amamentados geralmente ganham peso mais rápido no primeiro mês do que mostram os gráficos, mas depois eles começam a perder velocidade e vão baixando de percentil. Por volta de seis meses eles perdem a liderança que obtiveram com o ganho de peso no primeiro ano, e mantêm até 1 ano um peso "baixo" de acordo com os gráficos antigos. Enquanto estou escrevendo esse livro, a OMS e o UNICEF estão preparando novos gráficos baseados em bebês amamentados, que logo substituirão aos antigos (eles devem estar prontos em 2004, embora já estejam atrasadas há anos) . Não se trata de fazer gráficos para bebês de peito e outros diferentes para crianças que tomam mamadeira; os mesmos gráficos serão usados para todos (3). Enquanto isso, muitas mães levarão grandes sustos, porque dirão quando seu bebê tiver dois ou três meses que ele está “caindo” de peso, ou aos oito ou nove meses que seu filho está com “baixo peso” Isso não é verdade, seu bebê está bem.
 
Por que o crescimento de um bebê amamentado é tão diferente de um que toma mamadeira? Não temos muita certeza, mas em todo caso, não é por falta de alimento. Durante o primeiro mês, quando só tomam leite, bebês amamentados pesam o mesmo ou mais. Entre seis e doze meses, quando tomam papinhas além do leite, bebês amamentados pesam um pouco menos. Se fosse verdade a frase "o peito já não sustenta" (o que é uma grande bobagem uma vez que o leite materno alimenta mais que a mamadeira e mais que as papinhas), a criança ficaria com fome e comeria mais papinha e consequentemente ganharia o mesmo peso do bebê de mamadeira. A diferença é mais profunda; por alguma razão, leites artificiais levam a um padrão de crescimento que não bate com o padrão de crescimento do bebê amamentado.

Na primeira edição deste livro, eu escrevi: "Nós não sabemos quais consequências pode ter esse crescimento excessivo". Agora já sabemos. Muitos estudos (4,5) demonstraram que bebês que foram amamentados por menos de seis meses têm taxas mais altas de obesidade e têm mais chances de apresentar sobrepeso e obesidade entre os 4 e os 6 anos.
 

Nem todas as crianças crescem no mesmo ritmo

Tenho uma filha de 8 meses e nos últimos 4 meses ela não ganhou peso, seu peso durante quatro meses é de 7.450 g e a altura aumentou pouco a pouco até os 71 cm que ela tem agora. O pediatra dela me disse que se ela não ganhar peso esse mês, vai solicitar exames de sangue, para ver se ela está com algum problema; se não é porque é inapetente e ponto.
Comer, come muito pouco. Ela recusa a colher e quando eu a forcei a comer com a colher, ela vomitou tudo. Continuo dando tudo com mamadeira: frutas, papinhas e cereais.


Certamente não é "normal" (no sentido de "comum") que um bebê não ganhe nada de peso entre 4 e 8 meses. Para descobrir se além de pouco comum é também patológico, , é preciso considerar outros dados, entre eles os exames que prudentemente pediu o pediatra para ter certeza que o bebê não está doente. Mas se nada for detectado, é melhor esperar pacientemente “é inapetente e ponto”. Especialmente nesse caso em que também não é comum pesar tanto aos quatro meses; ela estava praticamente no percentil 95. A altura aos aos oito é grande, mais que a média.
 
Todos os exames foram normais e aos 13 meses essa menina estava pesando 8 kg e continuava sem querer comer. Parece que ao invés de manter um lento e constante ganho de peso, ela ganhou todo seu peso nos primeiros 4 meses e depois parou de ganhar.

Existe um ritmo de crescimento especial que geralmente leva os pais à loucura, chama-se "atraso constitucional do crescimento ". É apenas uma variação do normal, não uma doença. São crianças que não seguem nenhum gráfico; elas têm a sua própria curva de crescimento. Elas nascem com peso normal e crescer normalmente durante uns meses. Mas em algum momento entre o terceiro e o sexto mês elas estacionam e começam a crescer lentamente, tanto em peso como em altura. Mas, isso sim, seu peso é adequado a sua altura. O pediatra pode pedir exames, mas tudo estará normal. Eles ficam no limite ou fora dos gráficos por dois anos, mas por volta dos dois ou três anos eles começarão a crescer mais rápido até atingir uma altura final completamente normal e são adultos de estatura mediana. Isso é uma característica hereditária e pode ser muito tranquilizante quando as avós finalmente admitem que o pai ou o tio "também era muito miúdo no início e o pediatra vivia dando vitaminas", mas no final de tudo ele cresceu. Veja um típico exemplo:

Minha filha tem dezoito meses e, felizmente, ainda mama no peito apesar dos comentários negativos de 99% das pessoas. O problema é que desde os 4 meses, quando eu voltei a trabalhar, ela não come bem. Ela começou a perder peso e agora está com 73,2 cm e 8.690 g. Ela fez exames e está tudo normal.
 
Aos dezoito meses, de acordo com os gráficos americanos antigos, uma meninas no percentil 5 deveria ter 8.920g e 76 cm. Entretanto, para uma menina de 73cm, o peso está acima do percentil 25. Ela foi ao endocrinologista e o hormônio do crescimento está normal. Então, tudo que se tem a fazer é esperar alguns anos.

Logicamente, uma criança que cresce tão devagar come ainda menos que as outras crianças.

(1) Dewey, K. G. et al. Growth of breast-fed infants deviates from current reference data: a pooled analysis of US, Canadian, and European data sets. Pediatrics 1995; 96: 495-503.
(2) WHO Working Group on Infant Growth. An Evaluation of Infant Growth. Document WHO/NUT/94.8, OMS, Geneva, 1994.
(3) Dewey, K. G. Growth patterns os breastfed infants and the current status of growth charts for infants. J Hum Lact 1998; 14: 89-92.
(4) Von Kries, R. et al. Breast feeding and obesity: cross sectional study. BMJ 1999; 319: 147-50.
(5) Grummer-Strawn, L. M. and Mei, Z. Does breastfeeding protect against pediatric overweight? Analysis of longitudinal data from the Centers for Disease Control and Prevetion Pediatric Nutrition Surveillance System. Pediatrics 2004; 113: ee81-86.

NOTA DO TRADUTOR: Os novos gráficos da OMS foram lançados em 2007.

Do livro Mi niño no me come de Carlos González

Blog EntryOct 13, '09 4:10 PM
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(relato muito longo de um trabalho de parto muito longo)

Emilia Kaiser-Nykjær chegou no dia 09.10.2009, sexta-feira passada, às 9:53 da manhã, depois de um loooooongo trabalho de parto...

Emilia anunciou que estava a caminho na segunda-feira, dia em que completei 38 semanas de gravidez. Havia uns 3, 4 dias eu sentia umas coliquinhas mas muito, muito discretas que vinham uma, duas vezes por dia. Mas quando se teve uma gravidez perfeita, sem a menor intercorrência, qualquer sinalzinho é facilmente notado e eu estava em plena sintonia com meu corpo. Também havia percebido um aumento no muco vaginal e pela primeira vez durante toda a gravidez precisei colocar um absorvente no domingo.

Quando amanheceu segunda-feira vi que o muco no absorvente estava rosado, com um filetinho de sangue. Nem todas as mulheres vêem a saída disso que se chama tampão mucoso, o "tampão" que durante todos esses meses manteve fechadinho o colo do meu útero para que a Emilia não escorregasse :) Nesse mesmo dia fui dormir sentindo umas cólicas que não eram assim doloridas ou regulares, mas também não podiam ser ignoradas. Falei pro Jan na hora de ir dormir pra que ele ficasse preparado, mas ao mesmo tempo não precisava de alarme nenhum.

Acordei na terça às 7 da manhã com uma contração dolorida. Foi uma só, mas doeu! Falei pro Jan que acreditava que a hora tava realmente chegando.

Eu e Jan tínhamos combinado de ir nadar na piscina quente aqui do lado de casa de tarde. Foi uma delícia, curtimos a piscina quente, fiz exercícios, e na volta pra casa parei no meio do caminho - estava um sol lindo, apesar do vendaval - e pedi pro Jan tirar umas fotos de mim e do barrigão. Seriam as últimas antes do trabalho de parto :)

As cólicas continuavam vindo sem nenhuma regularidade mas estavam lá. Conversei com uma amiga no msn de noite e falei que estava sim, tendo contrações! Resolvi ir dormir às onze da noite, precisava me preparar para encarar o trabalho que não seria fácil.

Às três da manhã da quarta-feira fui acordada por uma contração dolorida... fiquei numa euforia, era a hora chegando, Emilia a caminho!!! Esperei um tempo na cama, sentindo-as vindo, com uma certa frequência mas irregulares. Às 3:40 resolvi acordar o Jan. Sim, eu estava em trabalho de parto.

Viemos pra sala, ajeitamos as coisas para a "sala do parto": as toalhas que seriam usadas, o colchão, a bola de pilates, e eu fui tratar de comer biscoito com nutella! Conversamos um bocado deitados no sofá e ficamos marcando as contrações. Vinham de 8 em 8 minutos... de 10 em 10, 12 em 12, 6 em 6, 15 em 15. Bem irregulares. Incômodas, mas completamente suportáveis. Às seis da manhã, liguei pra minha doula querida, a Malu, e expliquei a situação, para que ela ficasse de sobreaviso. Depois consegui tirar um super cochilo.

Nesse dia tínhamos consulta de rotina com a parteira no hospital, ao meio-dia. Falei com ela que estava perdendo o tampão e sentindo algumas contracões irregulares, mas incômodas. Ela deve ter pensado: Ah, essas mães de primeira viagem... porque disse que isso não significava nada e eu podia ter mais umas boas 4 semanas pela frente, hehehehe! Voltei pra casa certa de que estava me despedindo do barrigão.

Ao longo do dia as contrações passaram a me incomodar mais. Quando uma vinha, eu precisava me concentrar, me apoiar em alguma mesa ou agachar, ou praticar alguma das posições da yoga. O Jan achou bom encher a piscina de parto de ar, ao menos. Ainda conseguimos ir ao supermercado comprar umas frutas, uns congelados. Chegando em casa, contrações mais regulares, ainda incômodas mas perfeitamente suportáveis. Até brinquei com o Jan: então é isso, contração? Rs! Nada que eu não conhecesse, afinal na adolescência enfrentava terríveis cólicas menstruais todo mês...

De noite a Malu me ligou. Eu dei o status pra ela: as contrações chegavam a vir de 5 em 5 minutos, e ela achou que era melhor vir pra cá. Quarta-feira por volta de dez horas da noite chegou a Malu e ficamos na sala os três, conversando sobre nossas expectativas sobre o parto, o Jan disse que tinha muito medo de eu me decepcionar e me frustrar caso alguma coisa não saísse como eu havia desejado durante tanto tempo. Eu o acalmei dizendo que sim, claro que eu me decepcionaria e ficaria triste se alguma coisa saísse "errado", se eu precisasse de uma transferência para o hospital, por exemplo... mas que a vida era assim mesmo e pronto, a gente não pode deixar de ter expectativas boas, imaginando que se algo "der errado" a gente vai sofrer. A gente sofre e pronto, sobrevive, oras :)

A partir daí cochilamos, acordamos, cronometramos contrações, assim foi a noite inteira. De manhãzinha na quinta, resolvemos que era hora de chamar a parteira do plantão, que viria com uma estudante (elas sempre vêm acompanhadas de estudantes para um parto domiciliar). O Jan encheu a banheira de água quente e eu resolvi entrar porque as dores já me incomodavam bastante, digamos, rs. Às 8:20 da manhã nossas parteiras chegaram, o Jan entregou a elas meu plano de parto e nós ficamos conversando.

A parteira Cecilie me perguntou se eu aceitaria ser examinada para que elas checassem a dilatação, já que eu tinha escrito no meu plano de parto que não gostaria de ser examinada ou de qualquer intervenção a não ser que fosse muito necessário. Eu aceito, afinal já estava com contrações há dias e ansiosa para saber em que pé as coisas andavam. Felizmente não senti dor ou incômodo algum ao ser examinada e elas constataram que eu estava apenas 2-3cm dilatada! Ainda faltavam no mínimo 7, pensei: Ooooh, mais umas boas 8 horas pela frente!

Emilia já estava encaixadinha na pelve, prontinha pra iniciar sua jornada. As parteiras avaliaram que ela devia ter uns 3300gr. E às 9 da manhã elas perguntaram se podiam ir embora, já que ainda tínhamos certamente muitas horas pela frente e seria melhor que ficássemos em tranquilidade e privacidade em casa, e a qualquer sinal de novidades era só telefonar de novo.

Assim que elas foram embora voltei para a banheira. Agora as contrações vinham beeeem doloridas. O Jan cronometrava-as no computador, a Malu me fazia acupressura nas mãos e nas batatas da perna. Comemos frutinhas, balas, chocolate... de tardinha o Jan foi buscar uns sanduíches e eu quis batata frita. Nem cheguei a comer muitas, mas matou minha vontade :) Coloquei Madredeus pra tocar.... cantei... olhei pela janela, sol lá fora... olhei para minhas orquídeas, para as árvores amareladas pelo outono, cochilamos. Nossa sala estava ensolarada no finzinho da tarde, tudo muito lindo e tranquilo. E eu dentro da piscina a maior parte do tempo.

Às cinco da tarde decidimos ligar de novo pra maternidade. As contrações estavam bem doloridas agora e com uma certa regularidade. Jan explica o cenário pelo telefone, e elas só chegam aqui em casa às sete e meia da noite! Aparentemente uma noite agitada com muitos nascimentos na maternidade. Não eram as mesmas que tinham vindo de manhã, mas eram igualmente simpáticas e tranquilas.

Elas me perguntam se podem me examinar, aceito mais uma vez, imaginava que já estaria com uns 8cm de dilatacão... e quando o veredito chega: 3, máximo 4 cm dilatada, eu fico com raiva, rs. Elas me sugerem tentar dormir um pouco. Eu cochilo, mas a conversa na sala está mais animada e me junto ao grupo: parteiras, Malu e Jan. Conversamos um monte sobre partos, filhos, etc... foi gostoso. Mas às dez e meia da noite há troca de plantão, elas precisam ir e perguntam se podem me examinar de novo. Vamos lá: 4cm dilatada.

Elas me sugerem dormir para salvar energia, ou dançar um samba para acelerar as contrações. Se eu pudesse teria corrido uma maratona, de tão cheia de razão que eu fiquei, hehehe! Decidi que agora essas contrações pegariam no tranco à força!

As parteiras estavam se arrumando pra ir embora quando eu vomitei tudo! De repente veio aquele jato e foi o tempo de pegar um balde. Era meu corpo sabiamente se esvaziando para a grand finale. Depois de vomitar me senti mais leve e as parteiras foram embora, eu eu prometi que não descansaria até botar Emilia no mundo. E saí correndo pelo apartamento, rebolando, dançando, agachando, ajoelhando, enfim, tentando ficar o mais confortável possível. Eram onze horas da noite.

Num período de uma hora me movimentando pela casa, consegui acelerar as contrações e elas ficaram regulares, de 3 em 3 minutos. E beeeem doloridas. Quando elas vinham não era mais "aaahhhhnnnn, ooohhnnnnmmm", mas altos, bons e longos "AAAAAAAhhhhhhh........"

Assim, à meia-noite senti uma pressão enorme no assoalho pélvico, e resolvemos que era hora de chamar as parteiras de novo.

Elas chegam à meia-noite e meia e estou com 5-6cm de dilatação. Bom progresso em apenas uma hora, achei :) Elas resolvem ficar, acham que em breve Emilia nasce. Continuei me movimentando por um pouco, mas à uma e meia da manhã não aguentava mais de cansaço, afinal havia dormido apenas 2 horas na noite anterior. As dores também estavam bem mais fortes agora e eu percebi que estava entrando na "Partolândia", aquela terra para onde todas as parturientes vão quando vai se aproximando a hora de expulsar o bebê. Na Partolândia não se vê nada, não se ouve nada, não se pensa em nada. Todos os nossos sentidos, hormônios, estão concentrados no maravilhoso trabalho que nosso corpo está fazendo.

A água quente da piscina faz o corpo relaxar demais e as contrações perderam um pouco a força, mas eu já não tinha outra opção. Precisava descansar. Jan cochila, eu saio da água e cochilo também entre uma contração e outra. Quando a contração vem eu solto altos gemidos, e logo que ela passa eu volto a dormir.

Malu está sempre trazendo fraldas enxarcadas em água quente pra eu colocar na barriga, e fraldas frias pra minha testa quando eu estava com muito calor (por causa da água quente da banheira, às vezes eu suava em bicas quando estava lá dentro e precisava de uma fralda fria na minha testa). A presença dela me deu muita tranquilidade e segurança o tempo todo, mesmo quando ela sabiamente ficava apenas no background, discretamente.

Seis horas da manhã. Mais um exame de toque... 7-8cm dilatada, chegando a 9 durante uma contração. Vamos que vamos, falta pouco! Elas conversam comigo sobre estourar a minha bolsa de líquido amniótico, pois isso geralmente acelera o trabalho de parto. Eu aceitei, apesar de inicialmente ser radicalmente contra a idéia, mas considerando as circunstâncias, acreditei que havia muito mais chances de tudo dar certo.

Depois disso elas chamaram as próximas parteiras do plantão, pois o delas já estava acabando. Quando as duas novas chegaram, a estudante Christina, que havia passado a noite conosco, perguntou ao Jan se ela poderia ficar, pois gostaria de ver o desfecho desse parto tão intenso. Claro que ela foi autorizada, rs, ela era uma querida. Aliás, todas as 8 que passaram aqui em casa nesses dias de trabalho de parto!

Assim chegaram as últimas duas parteiras e eu fiquei com três delas no resto desse tempo. Elas me sugeriram dormir um pouco, o que eu aceitei de imediato. Estava já exaustíssima. Deitei no colchão na sala e caí no sono imediatamente. A cada contração eu gemia alto, mas completamente na Partolândia, nem lembro direito dessa parte, só lembro que deu pra dormir mesmo entre as contrações.

Às oito e meia da manhã, eu acordei e quis ir para a piscina de novo. Que alívio imediato a imersão na água quente traz!!! Fiquei lá o resto do trabalho de parto... pouco depois de ter entrado, a parteira me pediu para me examinar de novo. Fui ao céu quando ela disse que eu estava já completamente dilatada e assim que sentisse vontade já poderia empurrar!!! Comemoramos todos ao redor da piscina!

Daí resolvi ficar em pé, dentro da piscina mesmo, para ajudar a gravidade um pouco. Eu estava tão exausta que foi difícil perceber as contrações de empurrar e eu precisava fazer um pouquinho de forca para ver se sentia alguma coisa. Assim eu sentia que "alguma coisa" descia pelo meu corpo... que delícia, a batalha tinha sido longa mas já estava no fim! O prêmio estava chegando!

Assim passei a sentir as contrações do expulsivo... o Jan me abraçou, coloquei as mãos em volta do pescoço dele e a cada contração eu literalmente me pendurava nele, até tirava os pés do chão, apoiava os joelhos na parede da piscina e foooooorça pra baixo! Nessa altura eu não gemia mais, eu urrava que nem uma leoa! A contração passava, eu me concentrava na respiracão profunda e lenta... me preparava de novo e lá vinha a outra contração, me pendurava de novo no Jan, sentia toda a força que ele também fazia... ele realmente pariu a Emilia comigo, meu marido querido!

Depois de umas contrações assim na vertical eu voltei a ficar de quatro na piscina, rodando de um lado pro outro que nem gata quando vai parir, hehehehe. Esse foi o único momento em que alguma coisa me irritou: o cheiro de um difusor de lavanda que eu comprei na Itália e que normalmente aaaaaaamo! Empurrei o difusor pra longe de mim e o Jan tratou de tirá-lo dali da cômoda antes que eu o jogasse pela janela... E haja força. Uma hora resolvi me sentar reclinada na parede da piscina, o Jan se abaixou atrás de mim e me ajudava segurando minhas pernas na hora que eu precisava empurrar. Eu tinha imaginado que adotaria uma posição meio de joelhos, meio inclinada pra frente, na hora de parir, mas eu simplesmente não tinha mais forças nessa hora e preciava de apoio.

As três parteiras ao meu redor me encorajavam, diziam o quão bem eu estava indo, que estava quase acabando, tudo sem me estressar ou me pressionar. Foram super competentes, monitorando o coraçãozinho da Emilia a cada 10 minutos aproximadamente. Elas diziam que eu podia fazer força à vontade pois a Emilia parecia nem estar aí, heheheh! O coraçãozinho dela não se alterou em nenhum momento de todo esse longo trabalho de parto, se manteve batendo forte e estável!

Nessa hora ouvi umas coisas que pareceram tão, mas tão surreais... primeiro uma das parteiras - eu estava de olhos fechados, não sei qual delas foi - pediu um relógio para registrar a hora do nascimento... eu fiquei pensando: Meu Deus, isso está acontecendo de verdade, a minha filha está chegando! A segunda coisa que eu ouvi foi também uma das parteiras ou a Malu perguntando ao Jan se tinha uma roupinha e um chapeuzinho prontos para colocar nela. Nossa, isso me deu uma coragem, uma energia nova e eu voltei a me concentrar nas contrações e na respiração.

De repente eu senti uma dor diferente e gritei meio que perguntando "O que aconteceu de diferente agora???". A estudante Christina, que estava pronta para receber a Emilia, respondeu: Foi a cabecinha dela, Flavia! Já saiu! Ela tem um cabelinho castanho... Mais uma e ela nasce! O Jan também disse: Eu estou vendo ela, Skat!.. ("skat" é o mesmo que "querida/o") e eu de olhos fechados, como se estivesse descendo numa montanha-russa.

E assim, em uma nova contração, nasceu Emilia, minha peixinha...

Eu ainda tinha os olhos fechados e a Christina dizia: Flavia, olhe! Abre os olhos e olhe, ela está aqui! Quando abri os olhos a Christina a levantou de dentro da água e muito gentilmente a colocou sobre meu peito. Eu só sabia dizer: Minha filha, minha filhinha! Meu amor! e repetia isso sem parar. A Malu filmava, o Jan chorava com as mãos na cabeça atrás de mim, como se não estivesse acreditando mesmo naquela cena. Aquilo estava acontecendo de verdade, era difícil demais de acreditar que a nossa vez tinha chegado! Emilia não chorou, só resmungou um pouquinho e eu perguntei por que ela não chorava, ao que a Christina respondeu "Fique tranquila. Ela está ótima!"

Meu parto foi exatamente como eu sonhei, sem tirar nem acrescentar. Eu tinha "brincado" por diversas vezes que reclamaria com Deus se meu parto fosse rápido demais, afinal eu tinha me preparado tanto, esperado tanto, sonhado tanto... eu merecia um parto longo e muito bem aproveitado como ele foi.

Eu estive sempre muito segura na nossa decisão pelo parto domiciliar, e tive o apoio do Jan desde o princípio. A primeira vez que mencionei parto domiciliar ele ficou meio sem saber o que pensar, mas embarcou comigo na aventura de pesquisar sobre o assunto, ver filmes, ler livros, artigos, estudos científicos, conversar com pessoas entendidas. À medida que a gravidez avançava perfeita, sem complicação alguma, o nosso parto domiciliar só se mostrava mais e mais real. Os riscos de um parto se tornar complicado, tendo a gravidez sido absolutamente saudável, é mínimo e as parteiras estão habilitadas para identificar um possível problema a tempo de realizar uma transferência para o hospital em perfeita segurança, sem maiores riscos para a mãe ou para o bebê.

A minha doula foi perfeita. Me deu massagem quando precisei, me ofereceu alívio quando viu que eu estava com dor, ajudou o Jan em tudo, e quando eu precisava estar sozinha com meu corpo ela soube ficar discretamente na sombra e em momento algum pensei que tudo teria sido tão perfeito sem ela. Sem ela eu possivelmente teria sim dado conta, quem sabe? Mas dela eu não abro mão e numa próxima vez ela já está contratada!

Uma das "coisas" pelas quais eu estava ansiosa era pela "química" que teria que rolar com a (s) parteira (s) que viessem atender meu parto. Mas até nisso Deus foi perfeito comigo. Todas as 8 que passaram aqui, perfeitas. Queridas, educadas, me respeitaram, me trataram de igual pra igual. Leram meu plano de parto e o respeitaram em cada detalhe. Me consultavam e me informavam sobre cada etapa do processo. Super competentes, monitoravam o coração da minha Boneca o tempo todo e me mantiveram tranquila, me encorajando e me dizendo o tempo todo que eu estava indo bem demais. Em momento algum foi cogitado ou mencionado uma possível transferência para o hospital, cesárea, anestesia, ou qualquer coisa do tipo. Em momento algum me abalaram na minha confiança de que eu daria conta. Tudo fluiu perfeitamente do início ao fim!

Depois que eu tomei Emilia nos braços, elas me ajudaram a sair da piscina e me deitaram no colchão no chão da sala. Eu tinha escrito no meu plano que o Jan gostaria de cortar o cordão umbilical somente depois que ele houvesse parado de pulsar, e assim foi :) depois de uns dez minutos que eu estava ali no chão, a placenta escorregou inteira, de uma vez, pra fora de mim e o ciclo estava completo.

Tive uma pequena laceração de segundo grau e levei cerca de 5 pontos, de acordo com a Malu. Mas não fiquei com dor (só uma sensibilidade nos primeiros dias, lógico!) ou maiores incômodos e não tive problemas nem dor pra fazer xixi ou cocô. Não perdi muito sangue e logo que elas acabaram de me examinar, me ajudaram a ir pra minha cama descansar com meu bebêzinho que não se interessou muito em mamar nesse primeiro dia, só quis dormir!

Já na cama fiquei ali me apaixonando pela minha cria, babando muuuuito nela, observando seu rostinho perfeito, sua cabecinha coberta por uma penugenzinha castanho-clara. Depois de um tempo a Christina, a estudante que aparou a Emilia na água, veio se despedir de mim e agradecer por ter participado do meu parto. Ela foi embora e as outras duas vieram examinar a recém-chegada ao planeta Terra. Pesaram (3400gr), mediram (52cm), observaram ombrinhos, a barriguinha, fizeram todas as medidas, a bonequinha é perfeita. Ela recebeu apgar 9/10 - no primeiro minuto de vida só não levou um dez porque ficou meio roxinha por um tempinho, mas esteve o tempo todo respirando bem e logo logo ficou rosadinha. No quinto minuto de vida já ganhou uma nota dez bem grande! Reflexos perfeitos, tudo perfeito.

Nessa hora liguei pra minha mãe e contei do nascimento, mas nem pude conversar muito pois as parteiras ainda não tinham acabado e ainda precisavam resolver os últimos detalhes.

As parteiras estavam quase com sua missão completa. Só precisavam esperar que eu fosse fazer xixi, para se certificarem que minha bexiga não havia sofrido dano. Assim que eu finalmente fiz xixi, elas vieram ao quarto se despedir. Elas tinham colocado absorventes no freezer para mim, tinham arrumado a sala toda, tinham deixado tudo limpo e assim foram embora depois de mais de três horas do parto, certas de que estávamos todos bem :)

Resta destacar que esse relato só foi possível porque o Jan manteve um "diário" durante todo o processo, anotando todos os eventos e os horários. As parteiras também escreveram o diário delas com todos os termos mais técnicos. Esses dois "diários" me ajudaram a reconstruir o meu parto.

Estou cheia de leite, graças a Deus, e estamos os dois nos acostumando com nossa nova rotina de fraldas, sonecas, mamadas. O Jan, bom, nem preciso dizer né. Meu companheiro pra toda vida. Pai da minha filha. Me completa!

Agora estou aprendendo a ser mãe.


Blog EntryOct 6, '09 3:13 AM
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Trechos retirados do livro "Our Babies, Ourselves" de Meredith Small, colaboracão de Andréia Mortensen.

NÓS, NOSSOS BEBÊS E A CULTURA

O bebê humano é o mais indefeso dos recém-nascidos. O cérebro ainda não se completou, ele é incapaz de ficar de pé ou de buscar o próprio alimento. Essa dependência exige alto investimento dos pais para criar um filho; para tanto, precisam estabelecer um vínculo íntimo como o bebê, já que este dispõe de poucos meios para expressar suas necessidades.

A própria Natureza determinou assim essa relação simbiótica entre os pais e a prole, criando esse vínculo característico da biologia humana para o crescimento e desenvolvimento do bebê. As maneiras de cuidar do bebê variam de cultura para cultura, mas giram em torno do trio: sono, cuidados e alimentação. A etnopediatria é o ramo que estuda a influência da cultura sobre a biologia, comparando as estratégias parentais ao longo da evolução. Quando nasce um animal quadrúpede, ele é capaz de ficar de peé imediatamente. Os humanos nascem com o cérebro imaturo, incompleto, com alta exigência calórica para seu metabolismo, já que seu crescimento continuará acelerado após o nascimento.

Na maior parte das culturas em qualquer época, o RN passa aos braços da mãe logo após o nascimento. É relativamente recente a idéia de separá-los e levá-los para o berçário foi em 1896 que Martin Cooney inventou a incubadora e passou a advogar a separação de mãe e filho. A idéia logo se ampliou: idealizada para prematuros, passou a ser usada para todos os bebês. A hospitalização do parto, a fim de salvar as mães de hemorragias e infecções, tornou a gestação parte do modelo médico-hospitalar, ou seja, passou a ser tratado como “doença”, sujeita a normas hospitalares e à separação mãe-filho. O bebê só ia para a mãe 12 a 24 horas após o parto e, depois, a intervalos regulares para mamar, a maioria chegando nos ‘carrinhos’ com as respectivas mamadeiras.

O movimento feminista dos anos 70, as observações de Bowlby & Harlow sobre “attachment” e a observação de dois obstetras, Laus & Kennel, é que começaram a retomar o direito de o bebê ficar com sua mãe e estabelecer o que lhe é primordial: o vínculo. Depois, passou-se a admitir o ‘rooming-in’ (alojamento conjunto) que hoje é aceito universalmente.

Durante toda a gestação, a mãe produz uma quantidade enorme de hormônios, que culminam na liberação de oxitocina e prolactina no parto, que propiciam a maternagem. Embora a bastante citada Elisabeth Badinter negue o ‘instinto materno’, a gestação induz na mãe uma atitude de proteção e de cuidado para com o bebê, que se acentua quando ela o toca, sente, cheira e lhe oferece o seio. Só que, tão logo o bebê nasce, ‘nasce’ ao mesmo tempo uma legião de pitaqueiros, querendo ensinar a mãe a cuidar de SEU bebê: suas irmãs, sua mãe, cunhadas, tias, vizinhas, e até desconhecidos lhe dão conselhos. Sem falar no monte de revistas e livros especializados, e nos especialistas profissionais.

A grande diferença entre as culturas primitivas e as ocidentais modernas é o objetivo determinado para o filho. As mães mais ‘primitivas’ não se preocupam com ‘indepndência’: carregam o filho junto ao corpo o tempo todo e até vão trabalhar com eles nas costas, em slings, cangurus, etc. As mães modernas e inteligentes estão voltando a buscar na Natureza o que foi perdido pela cultura: mais contato corporal, mais colo, dormir junto com o bebê e – a GRANDE SACADA – amamentar! Simples assim. Grande assim.

(...)

Somente nos últimos 150 anos, com o surgimento de casas com vários compartimentos, que começou a se separar os bebês e colocá-los para dormir longe dos seus pais. No século XX, as crianças das sociedades tecnológicas foram mais separadas de suas mães do que em qualquer época anterior na história da nossa espécie. Mais e mais nascimentos aconteceram em hospitais, e os berçários nos hospitais foram inventados para proteger as crianças de infecções. Desde o nascimento, esperava-se que os bebês dormissem sozinhos, longe de suas mães. O declínio da amamentação, promovido em parte pela empresas produtoras de leites artificiais, também contribuiu para agravar esta separação entre mães e bebês. A revolução feminista também exerceu um grande papel nessa mudança. A defesa do aleitamento prolongado coincide com a política de segurança alimentar nos países subdesenvolvidos promovida pelas mesma nação que promoveu o desmame, demonstrando como a cultura tem sido suprema em relação ao biológico. O resultado de todas estas influências é que, por volta de 1950, pouquíssimos bebês nas nações industrializadas ocidentais dormiam com suas mães.

Reflexões antropológicas sobre INDEPENDÊNCIA

Na cultura ocidental (como nos EUA e Brasil), a independência da criança é super valorizada. Numa pesquisa na qual se perguntou a pais americanos qual o objetivo na educação dos filhos, a maioria esmagadora dos pais respondeu algo que continha a palavra independência.

Esta visão se ajusta perfeitamente ao que a sociedade ocidental espera de seus indivíduos, ou seja, um indivíduo na sociedade ocidental tem chances de ser bem sucedido se for independente em vários aspectos. No mercado de trabalho, por exemplo, a concorrência é grande e a medida do sucesso é feita geralmente através da superação dos concorrentes.

Já em culturas não tão industrializadas, como tribos aborígenes na Austrália, ou indígenas em vários lugares do mundo (África, Equador, Brasil e outros), a meta principal de vida não é a independência. Não é esperado que o indivíduo cresça para uma vida individualista. Ao contrário, de preferência este continuará sempre num grupo, onde desempenhará uma função específica, porém numa posição interdependente. Dessa forma, o sucesso da sociedade não se mede em nível individual e sim em nível coletivo.

A industrialização global está mudando este aspecto mesmo nessas sociedades menos industrializadas, tendo uma grande influência na cultura e, em conseqüência, no modo de educação dos filhos.


Blog EntryJun 29, '07 2:30 AM
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... o Brasil, gente, é uma sociedade FALIDA.

http://cora.blogspot.com/2007/06/as-bestas-da-barra-e-sua-diverso.html


Blog EntryMay 14, '07 7:42 AM
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Agora basta. Tenho que desabafar.

Por onde andava esse povo brasileiro enquanto eu estava tendo aulas de português????

Cansei de ver gente colocando cedilha antes de e e i sem me importar, pensando talvez deve ter sido um erro de digitação. Voçê, conheçer, açima, e por aí vai.... que horror!!!!! Revisão, gente: cedilha se usa no c antes de a, o e u. Exemplos: açúcar, calça, açores.

Sem contar na mal-fadada crase. NINGUÉM sabe usar a crase, pela madrugada. (Sim, exagerei um pouquinho).

Revisão: crase se usa antes de substantivos femininos - casa, escola, igreja, menina, árvore, etc. SOMENTE quando houver necessidade da preposição a - de ir a algum lugar. Assim, a crase é a união da preposição a com o artigo feminino a.

Exemplos: ir à igreja, pedir à professora.

Exemplos errados: pedir à Deus (Deus é substantivo masculino), rogar à Nossa Senhora (antes de pronomes possessivos não se usa crase), graças à Deus, etc.

Exceção, gente, não tem s nenhum. É com cedilha!

Mal é o contrário de bem. Mau é o contrário de bom. Se você escrever mal-humor, tente pensar no contrário: bem-humor????

E a famigerada viajem com j, por tudo quanto é mais sagrado..... Minha viagem foi boa, Viaje bem, viaje Vasp... perceberam a diferença?

Sem contar com coisas horripilantes como Seje feliz.... Que Deus esteje com você....

Pessoal, vamos ler um bocadinho, heim?